19 de maio de 2010

Presa... eu?! Era só o que faltava!

O dia 5 de Abril e foi um dia muito preenchido. Para começar, estava eu em casa muito bem quando recebi um telefonema a dizer… «preciso de ir à cidade. Sabes ir até ao trópico?» Eu, como já estava uma candongueira de primeira, disse que sim e ai fomos nós à aventura procurar uma clínica pediátrica. Maravilha! Saímos de casa lá pelas 9h30 e não havia trânsito… quer dizer, se fossem do Bom dia Portugal diziam que o dito estava congestionado com abrandamentos não sei onde… ah pois! Bem, às 10h já tínhamos chegado à cidade! Nem dava para acreditar! Agora só faltava seguir as instruções que tínhamos e puuuuuum, ia ser fácil encontrar a clínica, certo? Erraaaaaaado! Oh vida! O curioso e desconcertante ao mesmo tempo, é que o pessoal em Luanda não faz a mínima de como se chamam as ruas. Sorte marreca! Demorámos duas horas a encontrar a clínica!!! Isto porque andámos a perguntar a toda a gente e mais alguma «bom dia, sabe onde fica a rua bla bla bla? (…) ah, ok, viro à direita, a esquerda, bla bla bla, obrigada» Uau, pensámos nós, afinal é fácil. E lá seguimos as indicações do senhor polícia. Afinal de contas é uma referência de confiança, ‘né? Nãããããããão!!! O pessoal não sabe os nomes das ruas. Fogo! Isto acontece porque alguns dos nomes são do tempo colonial e eles não querem saber de nada desse tempo, claro! Enfim, continuando… acabámos por ir dar não à rua que queríamos mas ao hospital com o nome da rua que queríamos. Que, por sinal, viemos a perceber era longe como tudo da clínica… uma comédia! Para piorar ou melhorar, depende sempre do ponto de vista (para quem venha aler isto deve ser giro, digo eu), fiz uma manobra, permitida em Portugal note-se, e fui mandada parar por outro polícia. ‘Tou tramada, filho da mãe. «À sua carta di condução pôr favor? Os documento da viatura?» bahhhhhhh! Lá dei eu os ditos e fiquei à espera da sentença… ahhhhhhhhhhh! Entretanto, comecei a ligar para os grandes do clube, para tentar que eles me safassem da situação. Mas não atendiam ou estavam ocupados… que porcaria! Acabei por ligar ao N. para tentar que ele resolvesse a situação. Entretanto, já o polícia tinha entrado para o jipe e dito «podi siguir com o carro, vamos, pôr favor! A sinhora vai ser apreendida!» E eu nada de andar com o bólide… «primeiro tenho que fazer uns telefonemas!», disse eu! Não brincas! Já me queria levar para a esquadra… ‘tá parvo ou quê? E ele a insistir… «vamos, siga com a viatura…vamos lhe apreender. A sinhora não sabi que não podi conduzir com a carta portuguesa em Angola?» O senhor não sabia, ou melhor, sabia mas queria era «gasosa» (ou suborno, como nós dizemos) que os tugas já podem conduzir por estas bandas? Arre! Mas eu fiz questão de lhe dizer! Como eu não arrancava pé de onde estava com o carro ele começou a perguntar para quem é que eu estava a ligar, quem era o meu marido, onde é que ele trabalhava. Para mal dos meus pecados, tive mesmo que começar a andar em direcção à esquadra… mas fui-lhe dizendo que estava a ligar para as pessoas dirigentes do MI, que o meu marido trabalhava para eles… bla bla bla… e a P. (mulher do M.) ia fazendo o papel de mãe vítima que queria levar o bebé super doentinho à clínica, com urgência… será que nos íamos safar? Hummmm… às tantas, com tanta informação, o senhor polícia começou a dizer «beim, como estão com a criança, vou deixar vocêis ir embora. Dá só pelo menos uma «gasosa» de 1000 kwanzas para eu beber uma bibida (bebida)» Claro que foi esperto em pedir a gasosa e deixar-nos ir, porque ele não tinha por onde pegar comigo.

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